AS LÁGRIMAS DE UM PAI DE SANTO PARTE VII

Aquele pai de santo sabia quais seriam os trabalhos que teria, sabia que as forças negativas já estavam atuando em seu templo, haviam-no avisado as entidades.

Dias antes ele fez a limpeza do templo para que tudo corresse em harmonia, pois teria grande responsabilidade perante suas divindades.

É chegado o grande dia, cinco cabeças, cinco forças, tudo teria que ser preciso, não seriam aceitas falhas.

O preparo foi um sucesso, as divindades aceitaram tudo que foi feito com muito carinho.

Dia de festa, a tronqueira bem firmada, os médiuns e as visitas chegando, todos com a euforia natural de um acontecimento destes.

Aquele Baba a tudo observava, atento a qualquer investida do astral inferior.

Um a um as divindades foram se apresentando, a cada passagem uma alegria, uma emoção, lágrimas corriam sobre os rostos dos presentes, a energia contagiava a todos.

Aquele Baba não tinha tempo de sentir todas as emoções do momento, pois tinha a responsabilidade de conduzir até o interior do templo seus orixás.

Fim de festa, todos se retiram orgulhosos do feito realizado, o Baba também vai para seu lar, pleno da realização, pois sabia que tinha sido abençoado por todos eles.

Hora do repouso, aquele Baba se deita, mas o sono não vem, tenta conciliar mas é difícil, pois as energias ainda fluem por todo seu corpo, seus pensamentos estão na realização, na força, demora mas adormece.

No mesmo instante ele se vê diante de seu altar sagrado, de joelhos, ele começa então sua oração, pois sabe que alguém irá se manifestar, quanto tempo orou não é possível precisar, mas em dado momento sente que alguém está em suas costas, ele se vira lentamente e vê o guardião do templo postado.

Salve meu senhor, sua benção.

Salve Baba, que as forças do alto e do embaixo o abençoem como sempre o tem abençoado.

Por que estou aqui, meu senhor?

Baba, não sou senhor de ninguém e você mais do que ninguém sabe disto. Por que insiste em chamar os seus iguais de senhor?

Acaso sou diferente de ti?

Sagrado guardião, sabes que lhe tenho muito respeito e pela hierarquia que tens nesta casa devo-lhe ainda maior devoção.

Baba meu irmão, quantas vezes terei que mostrar-lhe a grandeza que trazes no coração?

Somos unidos por laços da eternidade, que não se arrebentam pela força da reencarnação, sou um servo e estou aqui para servir, assim como você.

Mas, meu irmão e mestre, por que vim para Ca?

Vieste para que tenhas noção do que fez, vieste para ver com os olhos do espírito tudo que realizaste perante nossas divindades os sagrados orixás.

Mas, não vejo nada de anormal, tudo está como deixei ainda a pouco.

Olhe com os olhos do espírito Baba.

O sagrado guardião do templo tocou-lhe a fronte e seus olhos abriram-se para o lado divino da criação, sentados em seus tronos divinos estavam todos os orixás reverenciados naquele templo, todos sorriam abençoando aquele Baba.

Não contendo as lágrimas, mais uma vez ele as deixou cair, chorou como uma criança chorou como um adulto chorou como um pai.

Os orixás o olharam ternamente e disseram todos ao mesmo tempo, mas cada um em particular.

Sagrado sacerdote, estamos felizes, pois você nos honrou, fizeste com que seus filhos sentissem no coração a presença de Deus nosso amado pai e divino criador, plantaste em cada coração a semente do bem e do amor que sentimos por todos, por isso estamos aqui, por isso em nome do pai criador o abençoamos.

Com a testa encostada no solo em respeito e reverência aos divinos orixás, disse aquele pai de santo:

Sagrados orixás, regentes de minha amada Umbanda, nada fiz além daquilo que acredito apenas passo aos meus o que sinto no coração e o que sinto é o imenso amor de Deus manifestado através de vossa sagrada presença.

Levante-se Babalaô, fique de frente para nós seus pais e mães orixás, queremos vê-lo de frente.

Amados pais, não sou digno de estar em vossas presenças, quanto mais estar de frente para vós, permita-me ficar aqui com a testa no solo.

Não baba, não permitimos, nós vos queremos de pé.

Aquele pai de santo levantou-se lentamente, suas faces estavam molhadas pelas lágrimas que teimavam em cair, olhou os divinos nos olhos e sentiu que um fogo o queimava.

Sagrado Babalaô, em nome do divino criador nós o abençoamos pela sua fé, pelo seu amor, pelo seu conhecimento, pela sua justiça, pela sua lei, pela sua evolução e pela sua geração, em nome do divino criador nós o marcamos com os símbolos sagrados da Umbanda,l serás reconhecido em todos os cantos em que andares, na carne ou fora dela.

A luz irradiada pelos divinos que ali estavam iluminava por muito kilometros, as energias partiam deles e retornavam sem parar, aquele pai de santo chorava ainda mais, pois não se sentia digno de receber todas aquelas honrarias, chorava sem parar.

Por que ainda chora Baba?

Senhores do alto do altíssimo, minhas lágrimas já não são dolorosas como as venho derramado e maculado vossos mantos, mas são lágrimas de alegria por estar diante de vossas presenças divinas, por poder transmitir aos que me seguem que sois a luz do criador a nos guiar, senhores sou apenas um servo a caminho da evolução tentando retornar a vós, que são as manifestações do divino criador.

Que suas lágrimas lavem este chão sagrado Baba, e todos aqueles que aqui pisarem sintam na umidade das lágrimas que derramas a forças dos regentes da criação, que sintam a presença do divino criador, pois se somos a manifestação dele, tu és a força do próprio Deus.

Aquele pai de santo mais uma vez ajoelhou-se e tocou com sua testa no solo, quando se levanto estavam apenas ele e seu guardião.

Eles já se foram?

Foram para onde baba, ele nunca estiveram em outro lugar, habitam aqui mesmo neste templo.

Baba, aconteça o que acontecer lembre-se que você é o que é assim como eu sou o que sou, nunca se esqueça que estamos aqui cumprindo com os desígnios do divino criador que é nosso pai.

Baba, não chegaste até aqui porque és fraco, bonito, ou qualquer outro adjetivo que venham a dar-lhe, chegaste até aqui por que tens a missão de reconduzir os filhos de Olorum na volta à sua morada sagrada.

Eu estou por aqui é só me chamar ahahahahahahahahahahahahahaha!

Até logo Pai.

Até logo senhor Tranca ruas.

Aquele pai de santo ainda chorou por um tempo e suas lágrimas lavaram seu coração sentiu uma brisa leve tocar seu rosto, abriu os olhos, estavam seu quarto no aconchego de seu lar, a luz dos divinos orixás ainda brilhavam diante de seus olhos, ele agradeceu e disse:

VALE A PENA.


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