As Lagrimas de um Pai de Santo III


Finda-se os trabalhos no templo e aquele pai de santo vê seus filhos uma a um se retirarem após uma gira onde muitos foram atendidos.


O salão do templo vai ficando vazio, o silencio vai tomando conta do ambiente.

Agora ele esta só, olha para o congar, a velas queimando, iluminado cada imagem.

Aquele pai pensa nas coisas que vão acontecendo sem que ele possa mudar os rumos.

Mais uma vez ele ora aos seus orixás para que ampare seus filhos de fé, mais uma vez suas lagrimas teimam em cair, ele chora, seu choro é engasgado, silencioso.

De joelhos perante suas divindades ele ora:

Pai amado de amor e verdade, eu lhe peço mais uma vez, olhe por meus filhos de fé, são pequeninos ainda, não aprenderam a olhar-te de frente, mas sei que estas aqui e em todos os lugares.


Pai, divino criador Olorum, meus filhos não compreendem que vós os conduzistes até a Umbanda divina para aprenderem a serem pessoas melhores, mais humanas, mais humildes.

Sei que tenho a missão de conduzir estes teus filhos até tua presença, mas eles insistem no orgulho e na vaidade, auxilia-me a mostrar tua verdade a cada um.

Senhor deste-nos a Umbanda como religião, para que possamos ver na natureza sua face, olha-nos nos olhos pai.

E suas lagrimas rolavam.

Seus filhos de fé estavam envolvidos em fofocas e intrigas, o que estava desestabilizando todo o trabalho, aquele pai de santo tudo estava fazendo para que todos que ali chegassem sentissem a presença de Deus.

Quão doloridas são as lagrimas daqueles que amam e não enxergam mazelas e seus semelhantes.

E aquele pai chorava.


Ainda de joelhos, sentiu que algo estava acontecendo e abriu seus olhos, quando mirou seu altar sagrado viu uma luz rosa azulada, não conseguia ver além dela, chorou mais copiosamente ainda, pois sabia que ali estava uma divindade do pai maior.

Daquela luz uma voz suave se ouviu:

Filho do criador, filho meu, porque mais uma vez vem até este altar sagrado derramar suas lagrimas?


Amada mãe, mãe tenho ninguém que possa me consolar, por isso é aqui perante o sagrado que descarrego minhas dores e angustias.

Filho meu, não turve vosso coração, a tudo que se passa estamos vendo, somos a onipresença do criador, nada passa sem que nós não saibamos.

Mas, mãe divina dói quando passamos os ensinamentos e os mesmos são jogados fora.

Filho do meu criador, a cada um que é dado no futuro lhe será cobrado, não sofra pelas pessoas que não querem aprender a viver melhor.


Aquele pai chorava, suas lagrimas rolavam pelo rosto até caírem ao chão.

Filho já lhe Foi dito que suas lagrimas são gotas de luz para aqueles que sofrem, enxugue sua face, pois o trabalho chama.


Aquela luz foi o envolvendo, a paz foi tomando conta de todo o seu ser, sentiu como que uma mão acariciasse seu rosto, um leve toque.

A sua benção minha mãe Oxum, ainda que os filhos de Olorum não aprendam as coisas do amor, ainda que eu tenha que chorar todas as dores, estarei firme pois sei que estarás comigo.


Mamãe Oxum lhe sorriu e a luz foi se dissipando.

Aquele pai de santo levantou-se, sorriu e foi para seu lar aguardando os próximos trabalhos, pois sabia que todos estão sendo vigiados pelas divindades de Olorum o divino criador.


10 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo